Em
1933 o Dr. Rômulo Joviano, administrado da Fazenda Modelo
do Ministério da Agricultura, em Pedro Leopoldo, deu ao Jovem
Xavier uma modesta função na Fazenda e lá se
tornou um pequeno funcionário público em 1935, tendo
trabalhado consecutivamente até finais dos anos cinqüenta,
altura em que foi aposentado por invalidez (doença incurável
nos olhos), com a categoria de escrevente datilógrafo . Não
podemos deixar de registrar, sob pena de cometermos grave omissão,
que durante as décadas que esteve ao serviço do Ministério
da Agricultura, jamais -- não obstante a sua precária
saúde e trabalho doutrinário, fora das horas de serviço
-- deu uma única falta ou gozou qualquer tipo de licença,
conforme documentos facultados pelo M. A. Em finais da mesma década
de cinqüenta, vai residir em Uberaba - MG, por motivos de saúde
e a conselho médico, onde permanece até hoje e apenas
com a sua magra reforma (aposentadoria).
As suas
faculdades mediúnicas são extraordinárias,
Sua mediunidade (capacidade natural de ser intermediário
entre o plano material e o plano espiritual) manifestou-se, quando
tinha 4 anos de idade, pela clarividência e clariaudiência,
pois via e ouvia os Espíritos e conversava com eles sem a
mínima suspeita de que não fossem homens normais do
nosso mundo. Já como jovem e depois como adulto, muitas vezes
não diferencia de imediato os homens dos Espíritos.
Aos 5 anos, já órfão de mãe, esta manifestou-se
várias vezes junto dele encorajando-o e dizendo-lhe que não
poderia ir para casa porque estava em tratamento, mas que enviaria
um bom anjo que juntaria novamente a família. Esse bom anjo
foi a D. Cidália, a segunda esposa de João Xavier,
que para casar com o seu pai fez questão de reunir todos
os filhos do primeiro casamento e lhe daria depois mais cinco irmãos.
Quando
tinha 17 anos, fundou-se o grupo espírita Luiz Gonzaga ,
onde rapidamente desenvolveu a psicografia, isto é, a faculdade
de escrever mensagens dos Espíritos. Época em que
se desligaria da Igreja Católica onde deu os primeiros passos
na espiritualidade, mas onde não encontrava explicação
para os fenômenos que se passavam com ele, designadamente
a perseguição de espíritos inferiores de que
era alvo. O padre que o ouvia nas confissões foi um conselheiro,
um verdadeiro pai e não o dissuadiu do caminho que iniciou
no Espiritismo, mas abençoou-o e nunca deixou de ser seu
amigo.
No centro
espírita começou a psicografar poemas notáveis
de famosos poetas mortos, num nível literário tão
elevado que os próprios companheiros do grupo não
conseguiam atingir integralmente o seu conteúdo. Muitos desses
poetas eram totalmente desconhecidos do meio, nomeadamente alguns
portugueses: António Nobre, Antero de Quental, Guerra Junqueira
e João de Deus. A 9 de Julho de 1932, seria publicada a célebre
PARNASO DE ALÉM-TÚMULO , a sua primeira obra psicografada
que iria abalar os meios intelectuais do Brasil e tornar conhecida
a pacata Pedro Leopoldo.
O estilo
dos 56 poetas mortos, entre os quais vários portugueses,
era precisamente idêntico ao estilo dos mesmos enquanto vivos,
informavam os literatos das academias e universidades dos grandes
centros culturais do Brasil, embora não soubessem explicar
o fenômeno. Seria o início da sua imponente obra mediúnica
que hoje já ultrapassa os 350 livros.
Bastava
apenas um desses livros para constituir um roteiro seguro para o
homem na Terra rumo à sua alforria, à sua felicidade.
Seus ensinamentos revivem plenamente o Evangelho de Jesus e as lições
do Consolador que Kardec -- o discípulo fiel de Jesus --
nos legou com tanto sacrifício e renúncia.
Mas de
mil entidades espirituais nos deram informações através
das suas abençoadas mãos, provando à saciedade
a imortalidade do Espírito e a sua comunicabilidade com os
homens. Mas falar de Chico Xavier é falar de EMMANUEL que
indelevelmente estará ligado à sua missão.
Esse venerando Espírito é o seu protetor espiritual
e manifestou-se-lhe pela primeira vez de forma ostensiva em 1931,
acompanhado-o desde então até hoje. A respeito desse
Benfeitor espiritual nos diz o próprio médium:
Lembro-me de que num dos primeiros contactos comigo, ele me preveniu
que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu
deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições
de Allan Kardec e disse mais que, se um dia, ele, Emmanuel, algo
me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras
de Jesus e Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando
esquece-lo.
Emmanuel
propõe ainda ao jovem Xavier mais três condições
para com ele trabalhar: 1ª condição, DISCIPLINA
2ª condição, DISCIPLINA, 3ª condição,
DISCIPLINA.
Entre
as muitas dezenas de obras mediúnicas de Emmanuel, destacamos
os cinco documentos históricos, retirados dos arquivos do
plano espiritual, que constituem autênticas obras primas de
literatura, e que nos mostram o nascimento do cristianismo e a sua
paulatina adulteração logo nos primeiros séculos
da era. São os romances mediúnicos baseados em fatos
verídicos: HÁ 2000 ANOS ... (a autobiografia de Emmanuel,
a história do orgulhoso senador romano Publico Lentulus),
50 ANOS DEPOIS , AVE, CRISTO , RENÚNCIA e PAULO E ESTEVÃO
(a história de um coração extraordinário,
que se levantou das lutas humanas para seguir os passos do Mestre,
num esforço incessante ). Esta última obra, de 553
paginas, por si só justificaria a missão mediúnica
de Chico Xavier, segundo o erudito J. Herculano Pires.
Em 1943
começara a utilizar a mediunidade do abnegado médium
uma nova entidade espiritual que assinará as suas mensagens
com o nome André Luiz. Quem não conhece, mesmo aqui
em Portugal, a quadra:
Não
se irrite. SORRIA
Não critique. AUXILIE
Não grite. CONVERSE
Não acuse. AMPARE
André
Luiz é o pseudônimo utilizado por um espírito
que foi médico e cientista na sua última existência
e que desencarnou numa clínica do Rio de Janeiro pelo início
da década de trinta. É considerado o verdadeiro repórter
de além-túmulo. Relata-nos numa séria de 11
livros a experiência do seu pensamento, as dificuldades iniciais,
o reencontro com familiares e conhecidos que o precederam na partida
para o plano espiritual a observação e as expedições
de estudo junto de Espíritos de elevada evolução.
Esses relatos começam com o já célebre, livro
NOSSO LAR (nome duma cidade do plano espiritual), hoje traduzido
em vários idiomas, entre eles o Japonês e o Esperanto
e que já vai na 40ª edição em Português,
com 800.000 exemplares editados até hoje. Obra que também
iria causar e ainda causa uma certa polemica. Nessa série
de reportagens a alma humana é profundamente escalpelizada,
e onde se confirma na prática os ensinamentos que Jesus nos
legou há dois milênios atrás e que Kardec relembra
e amplia tão bem sob orientação do Espírito
de Verdade. Um dia, no futuro, os médicos, os psicólogos,
os sociólogos, etc., ficarão admirados pela sabedoria
neles contida, que já no século XX se encontrava no
Planeta, apontando diretrizes segura para a felicidade e paz entre
os homens.
A obra
monumental de Chico Xavier que se considera, segundo suas próprias
palavras: um servidor humilde -- humilde no sentido da desvalia
pessoal , jamais serviu para beneficiar materialmente a sua pessoa.
Todos os direitos autorais foram cedidos graciosamente a instituições
espíritas, nomeadamente à Federação
Espírita Brasileira, e a instituições de solidariedade
social. Quando as autoridades públicas lhe concedem títulos
de cidadania (mais de cem já lhe foram concedidos) diz que
o mérito não é para ela mas para os Espíritos
e sobretudo para a Doutrina Espírita que revive os ensinamentos
de Jesus na sua plenitude e que ele não passa de um poste
obscuro para a colocação do aviso de que a Doutrina
Espírita foi premiada com essas considerações
públicas .
Há
que registrar também que várias centenas de instituições
de solidariedade social forma criadas e inspiradas no seu exemplo
e obra: orfanatos, escolas para os pobres, lares de deficientes,
sopas dos pobres, campanhas do quilo, ambulatórios médicos,
alfabetização de adultos, bibliotecas, etc., etc.
Antes de encerrarmos estas notas gostaríamos de registrar
ainda o seu ponto de vista em relação às outras
doutrinas, filosofias e ideologias, aliás que são
o do próprio Espiritismo, mas passemos-lhe novamente a palavra:
Nosso amigo espiritual, Emmanuel, nos aconselha a respeitar crenças,
preconceitos, pontos de vista e normas de quaisquer criaturas que
não pensem como nós, mas adverte-nos que temos deveres
intransferíveis para com a Doutrina Espírita e que
precisamos guardar-lhe a limpidez e a simplicidade com dedicação
sem intransigências e zelo sem fanatismo .
Estes
são alguns dos traços biográficos desse abnegado
bem-feitor que renunciou a tudo para que o mundo seja um pouco melhor
e que dá pelo nome simples de Chico Xavier.
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