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Esta explicação se faz necessária devido a
dois fatos distintos. No Brasil, há uma diversidade de cultos
espiritualistas de origem africana, dentre eles, cultos dos mais
dignos e merecedores de todo respeito. No entanto, pessoas equivocadas
chamam os seguidores de tais cultos de espíritas, quando
deveriam ser chamados pelo nome adequado ao culto em questão,
nome que sempre existe e que os seguidores conhecem e pelo qual
se denominam. Nos Estados Unidos a confusão é com
o Novo Espiritualismo (New Spiritualism) , um conjunto de cultos
e tradições que também se desenvolveu a partir
da segunda metade do século XIX, mas que não segue
a Doutrina dos Espíritos conforme codificada por Kardec e
não compartilha dos mesmos princípios e práticas.
O que nos ensina o Espiritismo?
O Espiritismo não possui dogmas de fé. Kardec, com
a experiência de educador que possuía, inspirado e
auxiliado pela falange de espíritos superiores liderada pelo
Espírito da Verdade, compilou em cinco obras básicas
a Doutrina Espírita ou Doutrina dos Espíritos, como
muito propriamente a chamava, por ser ela constituída em
sua maior parte pelas respostas que aqueles nobres espíritos
deram às perguntas criteriosamente colocadas por ele e por
respeitáveis estudiosos que com ele trabalharam.
As cinco obras fundamentais do Espiritismo são: O Livro dos
Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo
o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese. Nesta
ordem, as cinco obras compõem um completo conjunto didático
que leva o leitor a uma reflexão séria e cautelosa
sobre os principais temas existenciais que sempre empolgaram a mente
humana. Nada ali é tratado como dogma. Cada princípio
colocado é examinado à luz da razão, da lógica
e do bom senso. Nada se pede ao leitor que aceite sem pensar.
Quem desejar realmente conhecer o Espiritismo, deve ler e estudar
suas obras fundamentais, a chamada Codificação Espírita.
Para que se tenha uma visão simplificada, no entanto, relacionamos,
a seguir, alguns de seus princípios básicos:
• Deus é a inteligência primária, criadora
de todos os seres e de todas as coisas, que permeia todo o Universo,
estando presente em cada criatura e transcendendo toda a Criação;
• além da dimensão material, existe uma dimensão
espiritual, onde habitam espíritos desencarnados, que se
encontram em diferentes estágios de evolução.
Os espíritos encarnados habitam a dimensão material
em seus diversos mundos. As dimensões material e espiritual
se interpenetram;
• todas as leis da Natureza são leis de Deus; o que
se chama hoje de sobrenatural nada mais é do que o natural
que hoje se desconhece;
• são leis de Deus, tanto as físicas quanto
as morais, se identificando estas facilmente como aquelas que se
encontram imutáveis desde o mais longínquo passado,
não sendo passageiras nem afeitas a uma ou a outra religião,
cultura ou etnia;
• o Céu e o Inferno não existem como locais,
como destino final para onde vão os justos ou os pecadores.
Ao se desprender do corpo, na chamada morte, o espírito irá
perceber, com seus sentidos sutis, exatamente as projeções
mentais que tiver criado no período que precede a desencarnação.
Na dimensão espiritual as projeções mentais
são percebidas pelos sentidos como se fossem realidades materiais,
permitindo a percepção pelo espírito tanto
dos monstros mais horrendos, quanto das mais enlevantes belezas.
Dessa forma, cada espírito construirá para si mesmo
seu inferno ou seu paraíso. A afinidade entre os espíritos
e as ligações causa-efeito criarão comunidades
das mais diversas matizes, ao longo de um amplo leque de evolução
espiritual;
• os espíritos evoluem sempre, reencarnando tantas
vezes quanto for necessário para o seu aprendizado;
• o espírito encarnado goza de livre-arbítrio,
mas sofre constantemente os efeitos reativos de suas ações
passadas, boas ou más. Da mesma forma, sofrerá no
futuro o efeito de suas ações atuais. É o princípio
de causa e efeito, que as tradições orientais chama
de carma;
• não existem anjos nem demônios que tenham sido
assim criados desde toda a eternidade. Os espíritos empedernidos
no mal projetam sobre os sentidos alheios uma aparência que
se assemelha aos padrões de identificação que
a cultura do indivíduo que os percebe tenha neste imprimido.
Poderão, dessa forma, ser percebidos por um encarnado ou
desencarnado ocidental como dotados de chifres e de rabo e vestidos
com roupa vermelha ou com as formas animalescas mais grotescas.
Da mesma forma ocorre com os que perseveraram no caminho do bem,
que poderão ser percebidos vestidos de branco, dotados de
asas e portando uma auréola sobre a cabeça ou como
seres diáfanos e luminosos;
• Os espíritos são criados simples e ignorantes
e, ao longo das diversas encarnações vão evoluindo
em bondade e sabedoria, sendo classificados pelo Espiritismo como
pertencentes a diferentes ordens: Espíritos Puros, que atingiram
a perfeição máxima e se religaram ao Criador;
Bons Espíritos, nos quais a sabedoria e o desejo do bem predominam;
Espíritos Imperfeitos, caracterizados pela ignorância,
pelo desejo do mal e pelas paixões inferiores.
• existe e sempre existiu um continuo intercâmbio entre
espíritos desencarnados e encarnados, de acordo com afinidades
emocionais entre eles existentes, seus hábitos e sua conduta
social comuns. Espíritos inferiores, sujeitos às más
paixões, não conseguem se comunicar com encarnados
evoluídos em bondade e sabedoria, da mesma forma que espíritos
sábios não logram transmitir inspiração
a encarnados devassos ou perversos. As companhias espirituais de
um encarnado são semelhantes às companhias encarnadas
que ele eleger para si;
• médium é o nome que se dá ao encarnado
que serve de veículo, de meio, à comunicação
entre encarnados e desencarnados. Ser médium não significa
ser espírita, sequer denota boas qualidades morais;
• sendo a mediunidade um dom, isto é, algo pelo que
o indivíduo não fez qualquer esforço ou gasto
para obter, ela deve ser praticada de graça em benefício
dos necessitados. O Espiritismo é fiel à máxima:
"Dai de graça o que de graça recebeis".
Se, por um lado, nem toda prática mediúnica gratuita
seja espírita, por outro, toda prática mediúnica
espírita é gratuita.
• Jesus Cristo é o guia supremo da Humanidade. Com
suas palavras e seu exemplo de vida ele é o Mestre, o irmão
mais velho que venceu, o modelo a ser seguido por todos nós.
Não ensinou o que aprendeu nos livros mas o que já
sabia por experiência própria. Exortou-nos a ter fé
demonstrando do que a fé é capaz, curando enfermos,
multiplicando pães e peixes, andando sobre as águas.
Declarou-se Filho de Deus e nos ensinou a chamar a Deus de Pai,
para que também nos soubéssemos Seus filhos. Conclamou-nos
a amar nossos irmãos como a nós mesmos, dando no Calvário
o testemunho sublime de seu amor por nós. Demonstrou a imortalidade
da alma, dialogando com os espíritos de Moisés e Elias
no monte Tabor e aparecendo aos seus discípulos após
a morte do seu corpo na cruz.
O Espiritismo tem hierarquia, símbolos e rituais?
O Espiritismo não tem sacerdotes, nem hierarquia eclesiástica.
Não existe forma de tratamento diferenciada entre os espíritas,
chamando-se entre si, simplesmente, de irmãos ou irmãs.
Qualquer grupo de espíritas pode formar um Centro ou uma
Casa Espírita, seguindo em suas reuniões e demais
atividades as orientações contidas na própria
Codificação ou em obras doutrinárias específicas.
No Brasil, os Centros Espíritas se congregam em Conselhos
Regionais, Uniões ou Federações estaduais,
tendo-se a Federação Espírita Brasileira como
entidade coordenadora à nível nacional.
O espiritismo não tem rituais, não usa imagens, símbolos,
talismãs, objetos especiais, nem adereços de espécie
alguma. Tampouco prescreve qualquer dieta alimentar. A esse respeito
é sempre bom lembrar que Hitler era vegetariano e que, somente
isso, não fez dele exatamente um santo.
O Espiritismo é Exclusivista?
O lema do Espiritismo é "Fora da Caridade não
Há Salvação" em contraponto ao lema "Fora
da Igreja não Há Salvação".
Para o Espiritismo, um indivíduo que siga a trilha do bem,
sendo justo, honesto, amando e respeitando seus irmãos, mesmo
que siga outra religião ou ainda que diga não seguir
religião alguma em particular, está no caminho certo
e seguro de retorno "à casa do Pai".
Por outro lado, estanca seu progresso e estaciona no caminho o indivíduo
que se diz espírita e fala mal dos outros, recusa auxílio
a quem precisa ou prejudica seu irmão. De nada lhe valerão
os passes e a freqüência a reuniões doutrinárias,
enquanto não praticar sua reforma íntima e se voltar
para o bem.
Como pode alguém se tornar espírita?
Uma pessoa que queira se tornar espírita não precisa
passar por qualquer forma de batismo ou iniciação.
A rigor, basta que essa pessoa se deseje melhorar.
No entanto, há três premissas básicas que devem
ser atendidas, premissas essas bem colocadas por Kardec no capítulo
I de O Livro dos Médiuns. São elas:
• crer-se em Deus
• crer-se que se tem uma alma
• crer-se que essa alma sobrevive após a morte
Um espírita é uma pessoa que se instrui, lendo as
obras da Codificação e boas obras espíritas
e participando de reuniões de estudo dessas obras.
Um espírita é uma pessoa que pratica a caridade, fiel
ao lema "Fora da Caridade não há Salvação".
A caridade é, de todas as virtudes, a mais excelente, como
coloca São Paulo de forma eloqüente em sua Primeira
Epístola aos Coríntios. Mas caridade não é
o ato de dar esmolas. Caridade é, antes de tudo, amarmos
ao próximo como a nós mesmos, como exortou o Cristo.
Jamais fazermos aos outros o que não queremos que nos façam
a nós. Tratar os outros como nos seria agradável ser
por eles tratados. Ajudar a quem precisa, a quem está menos
evoluído, material ou espiritualmente, do que nós.
E sem jamais esperar qualquer recompensa ou a admiração
alheia.
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